O BRASIL INVERTIDO – O CAPITALISMO SEM CAPITAL
A unanimidade dos economistas nacionais e estrangeiros que comenta sobre as dificuldades econômico-financeiras brasileiras concorda que a causa primária delas é a insuficiência da poupança popular doméstica na sustentação do financiamento do Estado, em suas necessidades básicas de investimentos, obrigando-o a socorrer-se de poupanças estrangeiras.
Eu concordo e aceito isto como uma verdade insofismável, todavia estranho muito que após a confirmação e reafirmação de tal diagnóstico não venha o mesmo acompanhado do aconselhamento de uma receita que possa anular o mencionado mal, ou seja, por exemplo: a criação de um sistema obrigatório de poupança popular doméstico que possa, dentro de prazos adequados, sanar esta grave insuficiência e ainda prosseguir financiando o Estado eternamente, sem necessitar de outras ajudas externas.
Na maioria das vezes receita-se sempre, o corte de despesas vegetativas, o corte de investimentos, a contenção da inflação através de aumento de juros, a diminuição da relação dívida/PIB, além de outras mais e, principalmente, da busca do crescimento econômico do país, isto como se os antagonismos de tais medidas não fossem essencialmente contraditórios, portanto impeditivos de se obter quaisquer resultados positivos de longa duração.
No momento em que o presente governo, eufórico, apresenta os resultados finais do ano de 2004, pode-se formar o seguinte quadro:
DÍVIDA EXTERNA PÚBLICA (DEP) – estranhamente não divulgada;
DÍVIDA INTERNA PÚBLICA (DIP) - R$ 960 bilhões (bi.)
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) - R$ 1.676,2 bi.
ARRECADAÇÃO ANUAL DA RECEITA FEDERAL – R$ 322,5 bi.*
CUSTO dos juros médios DA DIP em 2004 (16,44%) – R$ 153,96 bi.
CUSTO dos juros médios da DEP em 2004 (8,0%) estm. – R$ 25,44 bi
TOTAL dos juros médios devidos no ano – (55,6% de *) - R$ 179,4 bi.
Em vista dos resultados acima, em especial da relação do capital anual próprio do Estado, como denominador, e o valor do capital alheio, obtido por empréstimo, como numerador de uma fração, verifica-se a impropriedade dela, logo aquilo que bem define a inversão dos resultados financeiros que se tornam extremamente negativos para a sociedade nacional, influindo basicamente na concentração de rendas de uns poucos privilegiados, em detrimento dos muitos que não recebem os seus devidos quinhões, numa gravíssima realidade de injustiça social praticada pelos nossos governantes e responsáveis pelo zelo das finanças públicas, os quais ainda assim, dizem, apregoam e cantam vitórias, executando uma política que denominam de macroeconômica ortodoxa, em defesa do povo, quando ela na verdade nada tem de tradicional.
Onde já se viu qualquer tipo de entidade, pessoa física ou pessoa jurídica, ter seu capital de movimento formado por quatro partes, das quais três constituídas por empréstimos de altos custos anuais, cujos juros saem dos bolsos dos mais necessitados para os mais aquinhoados como detentores das maiores concentrações das riquezas nacionais? É a isto que eles chamam de ortodoxia nas finanças?...
Veja o quadro abaixo e sinta a mesma situação da nação, em relação ao valor da sua receita própria e de sua dívida interna, sendo levada a três famílias com rendas diferentes, mas com as mesmas condições semelhantes às da nação. Constate as agruras e restrições que tais famílias sofreriam em seu bem-estar, enquanto perdurarem tais endividamentos excessivos e caros.
Renda mensal/ R. anual/ Dívida/ Juros anuais/ J. mensais/ % dos juros/em
rel.às rendas.
-a) R$5.000,00/ R$60.000,00/ R$180.000,00/ R$29.592,00/ R$2.466,00/ 49,32%;
-b) R$7.000,00/ R$84.000,00/ R$252.000,00/ R$41.428,80/ R$3.452,40/ 49,32%;
-c) R$9.000,00/ R$108.000,00/ R324.000,00/ R$53.265,60/ R$4.438,80/ 49.32%.
A taxa de juros aplicada = 16,44% a/a, taxa Selic média do ano.
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2005.
Reny Ribeiro da Silva.
A unanimidade dos economistas nacionais e estrangeiros que comenta sobre as dificuldades econômico-financeiras brasileiras concorda que a causa primária delas é a insuficiência da poupança popular doméstica na sustentação do financiamento do Estado, em suas necessidades básicas de investimentos, obrigando-o a socorrer-se de poupanças estrangeiras.
Eu concordo e aceito isto como uma verdade insofismável, todavia estranho muito que após a confirmação e reafirmação de tal diagnóstico não venha o mesmo acompanhado do aconselhamento de uma receita que possa anular o mencionado mal, ou seja, por exemplo: a criação de um sistema obrigatório de poupança popular doméstico que possa, dentro de prazos adequados, sanar esta grave insuficiência e ainda prosseguir financiando o Estado eternamente, sem necessitar de outras ajudas externas.
Na maioria das vezes receita-se sempre, o corte de despesas vegetativas, o corte de investimentos, a contenção da inflação através de aumento de juros, a diminuição da relação dívida/PIB, além de outras mais e, principalmente, da busca do crescimento econômico do país, isto como se os antagonismos de tais medidas não fossem essencialmente contraditórios, portanto impeditivos de se obter quaisquer resultados positivos de longa duração.
No momento em que o presente governo, eufórico, apresenta os resultados finais do ano de 2004, pode-se formar o seguinte quadro:
DÍVIDA EXTERNA PÚBLICA (DEP) – estranhamente não divulgada;
DÍVIDA INTERNA PÚBLICA (DIP) - R$ 960 bilhões (bi.)
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) - R$ 1.676,2 bi.
ARRECADAÇÃO ANUAL DA RECEITA FEDERAL – R$ 322,5 bi.*
CUSTO dos juros médios DA DIP em 2004 (16,44%) – R$ 153,96 bi.
CUSTO dos juros médios da DEP em 2004 (8,0%) estm. – R$ 25,44 bi
TOTAL dos juros médios devidos no ano – (55,6% de *) - R$ 179,4 bi.
Em vista dos resultados acima, em especial da relação do capital anual próprio do Estado, como denominador, e o valor do capital alheio, obtido por empréstimo, como numerador de uma fração, verifica-se a impropriedade dela, logo aquilo que bem define a inversão dos resultados financeiros que se tornam extremamente negativos para a sociedade nacional, influindo basicamente na concentração de rendas de uns poucos privilegiados, em detrimento dos muitos que não recebem os seus devidos quinhões, numa gravíssima realidade de injustiça social praticada pelos nossos governantes e responsáveis pelo zelo das finanças públicas, os quais ainda assim, dizem, apregoam e cantam vitórias, executando uma política que denominam de macroeconômica ortodoxa, em defesa do povo, quando ela na verdade nada tem de tradicional.
Onde já se viu qualquer tipo de entidade, pessoa física ou pessoa jurídica, ter seu capital de movimento formado por quatro partes, das quais três constituídas por empréstimos de altos custos anuais, cujos juros saem dos bolsos dos mais necessitados para os mais aquinhoados como detentores das maiores concentrações das riquezas nacionais? É a isto que eles chamam de ortodoxia nas finanças?...
Veja o quadro abaixo e sinta a mesma situação da nação, em relação ao valor da sua receita própria e de sua dívida interna, sendo levada a três famílias com rendas diferentes, mas com as mesmas condições semelhantes às da nação. Constate as agruras e restrições que tais famílias sofreriam em seu bem-estar, enquanto perdurarem tais endividamentos excessivos e caros.
Renda mensal/ R. anual/ Dívida/ Juros anuais/ J. mensais/ % dos juros/em
rel.às rendas.
-a) R$5.000,00/ R$60.000,00/ R$180.000,00/ R$29.592,00/ R$2.466,00/ 49,32%;
-b) R$7.000,00/ R$84.000,00/ R$252.000,00/ R$41.428,80/ R$3.452,40/ 49,32%;
-c) R$9.000,00/ R$108.000,00/ R324.000,00/ R$53.265,60/ R$4.438,80/ 49.32%.
A taxa de juros aplicada = 16,44% a/a, taxa Selic média do ano.
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2005.
Reny Ribeiro da Silva.